O suplente de vereador, advogado Licínio Vieira Júnior, de 34 anos, foi preso nesta terça-feira (13), enquanto prestava depoimento na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Avenida Tenente Coronel Duarte (Prainha), na Capital.
O mandado de prisão preventiva foi expedido pela comarca de São Félix do Araguaia (1.160 km de Cuiabá), no último dia 6, em uma ação envolvendo esbulho possessório e conflito agrário. Os crimes, segundo a ordem judicial, ocorreram na Fazenda Rio Verde, localizada na cidade de Luciara (1.170 km de Cuiabá).
Nesta terça, enquanto era ouvido na DHPP, uma equipe da Polinter, liderada pelo delegado Fernando Vasco, foi à unidade policial e deu voz de prisão a Licínio Júnior.
Ele foi intimado para ser ouvido no Núcleo de Pessoas Desaparecidas em um procedimento investigativo aberto para apurar o desaparecimento de Gérson Alexandrino da Silva, de 51 anos, contratado no mês de maio pelo advogado para trabalhar em duas fazendas dele, no município de Luciara, em serviços gerais e de limpeza de áreas da propriedade.
O morador de Cuiabá desapareceu no início deste mês, na zona rural de Luciara. Os companheiros que foram contratados junto com ele e familiares do desaparecido já foram ouvidos na DHPP, em Cuiabá.
Após o cumprimento da ordem judicial, o advogado foi levado à Polinter para os procedimentos de praxe, sendo acionado o Tribunal de Defesa de Prerrogativas da OAB.
Desaparecimento
Gérson saiu de Cuiabá, na segunda quinzena de maio, e foi com mais duas pessoas, todas conhecidas de muitos anos e moradores do mesmo bairro, em Cuiabá, chamados pelo advogado para trabalhar nas fazendas dele na região nordeste do estado com a limpeza de áreas e com trator.
Dois trabalhadores contratados informalmente junto com Gérson foram ouvidos em depoimento no NPD e alegaram que no dia 30 de maio foram chamados para auxiliar o advogado a desatolar um veículo na estrada, que seguia sentido à cidade de Confresa. Depois, retornaram à sede de uma das fazendas para buscar pertences do advogado e visitantes. Gérson havia ficado na propriedade e teria sido encontrado, aparentemente, embriagado.
Após auxiliarem os visitantes do advogado com o veículo na estrada, os dois trabalhadores, conforme consta em depoimento, disseram que retornaram à fazenda, na manhã do dia 01 de junho, e não mais encontraram Gérson. Na hora, os dois colegas do desaparecido não deram muita atenção ao fato, pois pensaram que ele poderia estar pela propriedade.
Na tarde, começaram a procurá-lo e viram que seus pertences não estavam no quarto. Após buscas a pé e de moto em toda a região da fazenda, que é uma área de varjão com capim alto, não conseguiram encontrá-lo.
Conforme a investigação, a versão apresentada pelos colegas da vítima não apresenta credibilidade, uma vez que, mesmo dizendo que Gérson não foi encontrado na propriedade, nenhum deles chegou a registrar qualquer boletim em unidade policial da região para que diligências pudessem ser feitas a fim de localizá-lo.
Somente quando retornaram a Cuiabá, os dois colegas da vítima avisaram a família de Gérson sobre o desaparecimento dele.
Uma irmã da vítima procurou a 1ª Delegacia de Cuiabá e registrou a ocorrência, que foi encaminhada para apuração ao NPD, da Delegacia de Homicídios.