Política Nova polêmica
Deputada trans pede cassação de Abílio por suposta fala homofóbica
Erika ganhou notoriedade por ser a primeira mulher trans e negra eleita deputada federal no Brasil.
12/07/2023 11h26
Por: Redação Fonte: Aline Brito
Reprodução

A deputada federal Erika Hilton (PSOL/SP) e seu partido pediram a cassação do mandato do deputado federal Abílio Brunini (PL /MT). O parlamentar mato-grossense é acusado de homotransfobia contra a parlamentar durante uma sessão da CPMI do Dia 8 de Janeiro, em Brasília.

O documento enviado à Comissão de Ética da Casa - e assinado pela bancada do PSOL na Câmara - afirma que a deputada foi alvo de homotransfobia, prática considerada crime previsto em lei, além de violência política e de gênero.

Erika ganhou notoriedade por ser a primeira mulher trans e negra eleita deputada federal no Brasil.

A ação teria iniciado após Erika afirmar que 'toda sessão o deputado [Brunini] atrapalha os trabalhos da CPMI, causa tumulto' e que assim, 'ela o teria aconselhado a procurar tratar sua carência em outro espaço'.

Quando o microfone estava fechado para ele, Brunini teria dito: "Por que, tá precisando de serviço?".

O senador Rogério Carvalho (PT) que mais tarde chamou o comentário do colega de Câmara de homofóbico estava sentado na frente do deputado bolsonarista e teria escutado a frase de Abílio. "O seu Abílio foi homofóbico. Fez uma fala homofóbica, quando a companheira estava se manifestando, ele acusou e disse que ela estava oferecendo serviços. Isso é homofobia, é um desrespeito. Peço a vossa excelência que o senhor peça para o deputado se retirar do plenário", disse.

A acusação foi, inclusive, reiterada pela senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) e por outras pessoas mais próximas que, igualmente, escutaram.

Para alguns congressistas, a frase do deputado mato-grossense foi 'uma insinuação de que ela[Erika] queria se prostituir'.

À jornalistas, mais tarde, Erika revelou que "o deputado fez uma associação preconceituosa e discriminatória" ao dizer que ela "estava ofertando os seus serviços".

"[Essa associação] muito provavelmente deve estar formada no imagético da população tem de travestis e transexuais. O que é criminoso, desrespeitoso, violento, não está dentro do âmbito da CPI e que não tem nenhuma correlação com aquilo que foi dito por mim".

Ao, contudo, admitir que não teria ouvido o ataque do colega e que aguardará a liberação das imagens. Erika é a primeira mulher trans da história a ser eleita deputada federal por São Paulo, o estado mais populoso do país. Ela recebeu mais de 250 mil votos e foi uma das 10 candidaturas mais votadas de São Paulo.

No momento da ação Brunini chegou a rir das acusações. Questionado pelo presidente da CPMI, Arthur Maia (União), negou qualquer tipo de ofensa. A polícia parlamentar vai investigar as filmagens e Brunini poderá ser punido.

Outro lado

Por meio de nota, Abílio negou que tenha feito comentários transfóbicos contra a deputada Erika Hilton.

"Quando aconteceu a situação cheguei a levar a acusação até com humor. Mas a gente precisa restabelecer a verdade. Não tem uma palavra minha de homofobia, de ataque a Erika [...] Sempre a tratei com respeito e não desferi palavra em direção a ela, assim como nenhum outro parlamentar. Deputados de esquerda tem me atacado como homofobico, coisa que eu não admito. Não posso deixar que essa narrativa seja construída".

Brunini ainda pede que a investigação contra suas falas seja rápida, até para que ele possa usar em representações por calúnia e difamação.

Confira a nota na íntegra:

“Após o caso envolvendo o nome do deputado Abílio BRUNINI (PL MT)  nesta terça-feira, o parlamentar pediu que a polícia investigue com celeridade o caso.

“Não tem. Não tem um ataque meu à Erika. Sempre tenho a tratado com respeito, e não desferi nenhuma palavra em direção a ela, assim como a nenhum outro Parlamentar, nem por questão de gênero, nem por nada. Mas os sites de notícias, os veículos, as pessoas da esquerda, Deputados de esquerda que estão publicando no Twitter têm me atacado como homofóbico, coisa que eu não admito, Sr. Presidente.” Disse Abilio.

Abílio ainda pediu respeito aos parlamentares.

“Não admito homofobia, não admito. Peço respeito a todos, peço respeito a mim também. Não posso deixar que essa narrativa seja consagrada ou uma narrativa construída, Sr. Presidente, ou uma narrativa elaborada.

Eu não tenho interesse algum em destratar qualquer pessoa aqui por questão de gênero, assim como não tenho feito até o momento.

Abílio Brunini relembra o seu trabalho na comissão que investiga os atos do 8 de janeiro, e se coloca à disposição para os procedimentos legais”.