A Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp-MT) divulgou na semana de passada um aumento de 16% em casos de estupro no estado, entre o período de janeiro a outubro de 2023. Ao todo foram 1.870 casos, 258 a mais que em 2022 durante o mesmo período, quando Mato Grosso apresentou 1.612 registros.
Ainda segundo a Sesp-MT, Rondonópolis (a 212 km de Cuiabá) é o município que lidera o ranking, com 91 casos registrados até outubro deste ano, em 2022 no mesmo período a cidade apresentou 85 registros, ou seja, um aumento de 7% no número de casos.
A nível nacional, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgou uma pesquisa no dia 13 de novembro, que mostra um aumento de 14.9% em casos de estupros e estupro de vulnerável no Brasil durante o primeiro semestre de 2023. Segundo os registros, 34 mil mulheres e meninas foram vítimas desse crime no país, dentre as vítimas 70% eram meninas de até 13 anos.
Durante o mês, o portal Notícia Max informou cerca de 33 casos de violência contra a mulher, incluindo, agressões, ameaças, perseguições, estupros e feminicídios. Dentre eles o caso de repercussão nacional entre as redes sociais Instagram e X (antigo twitter), da mãe Cleci Calvi Cardoso, de 46 anos, e suas três filhas Miliane (19), Manuela (13) e Melissa (10). As vítimas foram mortas e três delas foram estupradas dentro de casa por Gilberto Rodrigues dos Anjos (46), na noite de sexta-feira (24.11). Os corpos das vítimas foram encontrados dois dias depois e Gilberto confessou o crime.
Tal cenário ressalta outro dado alarmante divulgado pela última pesquisa do Fórum, em que os registros de feminicídios e de homicídios femininos cresceram 2,6% no país durante o primeiro semestre deste ano. Ao todo 722 mulheres foram vítimas de feminicídio no país durante o primeiro semestre de 2023, contra 704 em comparação ao mesmo período do ano passado.
Mato Grosso, por sua vez, no último relatório anual do Fórum (2022), ocupou o 4° lugar no ranking de estados do país com mais casos de feminicídio, com 2,6 casos por 100 mil habitantes. Em números absolutos, foram 47 casos registrados de feminicídio.
Segundo o Instituto ONU Mulheres, este cenário estatístico é um problema global e como uma das formas de conscientizar a sociedade, a organização convoca o mundo inteiro, desde 1991, para discutir questões relacionadas à violência contra as mulheres por meio da campanha anual global “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres", que inicia no Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher (25.11) e termina no dia dos Direitos Humanos (10.12). Em Cuiabá, a campanha une a Secretaria Municipal da Mulher, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Banco do Brasil e a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica.
A campanha tem uma programação com o objetivo de denunciar o problema, dar acolhimento às vítimas, debater e conscientizar a sociedade. Segundo a ONU Mulheres, é fundamental que tal cenário seja tratado com emergência pela sociedade, instituições e autoridades públicas, pois embora sejam mulheres e meninas em territórios, horários e contextos sociais diferentes, elas sofrem universalmente com violência de gênero, estupro e abusos, e tais estatísticas precisam ser debatidas.