Política TCE
Municípios podem perder recursos para assistência social, alerta Comissão do Tribunal de Contas
Dos 142 municípios do estado, 114 apresentaram projetos com as adequações recomendadas pelo Tribunal, mas em apenas quatro deles as propostas chegaram a virar lei.
01/03/2024 09h29
Por: Redação Fonte: Da redação
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A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) alertou os gestores municipais sobre o encerramento do prazo para a regulamentação da Política da Assistência Social e dos Benefícios Eventuais, previsto em nota recomendatória emitida pelo órgão em abril de 2023.

Nesta quinta-feira (29), o presidente da Comissão, conselheiro Guilherme Antonio Maluf, lembrou que o documento deu um ano para que as prefeituras criem lei única para o setor de Assistência Social, cumprindo assim com exigências básicas para o recebimento de aportes do Estado e da União.

A maioria, contudo, segue perdendo os repasses. Dos 142 municípios do estado, 114 apresentaram projetos com as adequações recomendadas pelo Tribunal, mas em apenas quatro deles as propostas chegaram a virar lei.  Além disso, outros 25 sequer apresentaram a minuta do projeto.

“O resultado disso é que, apesar do esforço do Tribunal, estão perdendo muitos recursos para a Assistência Social. Estamos preocupados porque os municípios estão muito atrasados e vão perder ainda mais, uma vez que sem a regularização de quesitos fundamentais, não vêm os valores”, afirmou o conselheiro.

Estes quesitos incluem a instituição de Conselho de Assistência Social, de Fundo Municipal de Assistência Social e de Plano de Assistência Social. Além disso, as prefeituras devem estabelecer nas legislações municipais os eixos das políticas do setor e o Sistema Social e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS).

“Desse jeito, mais de 100 municípios vão ficar sem receber. É inaceitável que hoje, diante da demanda que nós temos, os gestores percam recursos. As desigualdades e a falta de oportunidades na sociedade podem ser atenuadas com esses valores”, sustentou o conselheiro.  Diante disso, a Comissão está notificando os gestores sobre a adoção das medidas estabelecidas pela nota recomendatória. Guilherme Antonio Maluf destaca ainda que o descumprimento passará a ser apontado na análise das contas anuais, podendo resultar em sanções.

“Estamos reiterando nossas recomendações, mas se elas não forem cumpridas, começaremos a emitir sanções contra quem não fizer o dever de casa. Estamos monitorando de perto, porque haverá cada vez mais recursos liberados”, concluiu.