A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Lucas do Rio Verde, em parceria com o Centro Universitário Unilasalle, apresentou durante live nesta segunda-feira (20) os dados mais recentes da pesquisa de Indicadores Econômicos, referente aos meses de maio e junho de 2026. O levantamento, feito com metodologia oficial do DIEESE, revela um cenário paradoxal: enquanto o valor médio da cesta básica recuou, regiões da cidade registraram novos recordes de preços, e o comprometimento da renda do trabalhador atingiu o maior índice já registrado na série histórica do estudo.
Conforme o presidente da CDL, Petronilio de Sousa, o objetivo da parceria é levar informação confiável à população e fortalecer o comércio local, além de esclarecer a realidade sobre a formação dos preços. "Essa pesquisa é feita com toda seriedade pela equipe do Unilasalle, para mostrar ao consumidor como anda a economia, onde comprar e como fazer escolhas mais conscientes. Os nossos empresários estão todos empenhados em atender bem e oferecer as melhores condições possíveis. É preciso deixar claro que a alta carga tributária imposta pelo governo e o elevado custo com a logística, puxado pela alta dos combustíveis, são os verdadeiros vilões. Torna-se impossível responsabilizar o comércio pelo alto custo da cesta básica", destaca.
A coleta é realizada mensalmente em pelo menos um estabelecimento de cada bairro mais populoso da cidade — incluindo Bandeirantes, Parque das Emas II, Centro, Alvorada, Jardim Primavera e Jardim das Palmeiras — garantindo uma amostra representativa e alinhada aos critérios técnicos nacionais. Os dados seguem as regras do DIEESE e da Constituição Federal, que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir alimentação, moradia, vestuário, higiene, saúde, educação e transporte do trabalhador e de sua família.
Queda na média, mas preços disparam em bairros
Em maio de 2026, o valor médio da cesta básica ficou em R$ 861,51 — o que corresponde a mais da metade do salário mínimo vigente, de R$ 1.621,00. Já em junho, houve uma queda de cerca de 9,4%, com a média caindo para R$ 780,86. Mas esse alívio não chegou a todos:
- Maio: menor valor no Jardim Primavera (R$ 791,45) e maior no Parque das Emas II (R$ 962,05) — diferença de R$ 170,60 pelos mesmos produtos;
- Junho: menor valor no Jardim das Palmeiras (R$ 765,46) e novo recorde no Parque das Emas II (R$ 988,09) — diferença de R$ 222,63, quase batendo a marca dos R$ 1 mil.
"A cidade ficou mais barata na média, mas o bairro mais caro ‘puniu’ ainda mais seus moradores", observa o professor Rafael Zunino Marques, responsável técnico pela pesquisa. "As promoções pontuais e quedas em algumas regiões acabam mascarando a realidade de quem mora em locais com custos mais elevados".
Variações explicam por que vale a pena pesquisar
Os preços mudam conforme fatores como fornecedores, poder de negociação dos estabelecimentos, margens de lucro e carga tributária. Itens essenciais como a carne de coxão duro — que representa quase metade do valor total da cesta — variaram até R$ 200 entre bairros, enquanto o tomate teve flutuações superiores a 30% de um mês para o outro.
Além disso, a nova regra que exibe o valor do imposto diretamente na etiqueta já ajuda a entender parte dos custos: um produto de R$ 124, por exemplo, pode ter R$ 43 só de tributos. "Alguns itens têm redução de impostos, mas outros, como o café, seguem com tributação normal, e o ICMS estadual tem peso grande no preço final", explica o professor Rafael.
E não é sempre o maior supermercado que tem os valores mais baixos: pequenos estabelecimentos também ajustam margens para competir, e vale observar promoções específicas — como o preço baixo de ovos em um local, mesmo que outros itens estejam mais caros.
60% da renda só para comer: salário ideal seria 5 vezes maior
Para comprar a cesta básica no valor mais alto registrado em junho, o trabalhador precisou dedicar 134,10 horas da jornada mensal — o equivalente a 60,1% do salário mínimo, índice mais alto já medido no projeto. Restam menos de 86 horas para cobrir moradia, saúde, educação e transporte.
Para cumprir o que determina a lei e sustentar uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal em junho de 2026 seria de R$ 8.300,94 — 5,12 vezes maior que o valor pago atualmente.
"Pesquisar preços deixou de ser uma opção e virou estratégia de sobrevivência", avalia o diretor de eventos e de comunicação da CDL Lucas, Robson Alex, durante a realização da live transmitidas pelas redes sociais da entidade. "A diferença na cesta básica pode chegar a R$ 220, e em compras maiores chega a R$ 500 de economia no orçamento familiar".
Festa do Mérito Empresarial será no dia 17 de outubro
A CDL também lembra que as empresas mais votadas na pesquisa de Mérito Empresarial já podem adquirir mesas para a festa do comércio luverdense, antecipada para este ano de novembro para o dia 17 de outubro. Os detalhes estão disponíveis na sede da entidade e nas redes sociais.
Os dados completos da pesquisa serão divulgados em breve nos perfis oficiais da CDL Lucas do Rio Verde e do Unilasalle nas redes sociais, além dos veículos parceiros de comunicação.
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