Política Novo partido
Partido bilionário, União Brasil perderá seus maiores puxadores de votos para o próximo pleito
Partido que nascerá da fusão entre PSL e DEM precisará de bom desempenho eleitoral para manter cofre cheio, mas não terá mais os campeões nas urnas de 2018
03/01/2022 03h13
Por: Redação Fonte: Luis Felipe Fernandes
Reprodução

O partido União Brasil, que irá ser criado após fusão do PSL e do DEM, está com planos de se tornar o maior partido do Brasil em 2022, tanto em número de deputados federais, quanto em dinheiro para financiar a legenda e a sua participação nas eleições.

Estima-se que, com os reajustes dos fundos eleitoral e partidário aprovados pelo congresso na última semana, o novo partido tenha R$ 1,05 bilhão para gastar na eleição deste ano, a maior quantia entre todas as siglas.

Em segundo lugar, está o PT, que terá em torno de R$ 630 milhões para gastar.

Esse cofre cheio é uma contribuição principalmente do PSL, que se tornou o novo-rico do sistema partidário brasileiro, após eleger 52 deputados federais em 2018 na onda conservadora que levou Jair Bolsonaro, então no partido, à Presidência da República. Como a distribuição do dinheiro público para as eleições é feita levando em conta o desempenho dos partidos na última eleição legislativa nacional, para o União Brasil continuar sendo bilionário, será fundamental eleger o maior número possível de deputados federais em 2022.

 

Para isso, no entanto, terá um sério problema a superar: não vai poder contar com a maioria dos puxadores de votos que teve na eleição anterior após o racha com Bolsonaro, que deixou o partido no final de 2019. Um ótimo exemplo é o de São Paulo, o deputado federal mais votado da história do país, Eduardo Bolsonaro (teve 1.843.735 votos em 2018), vai deixar o partido assim que a legislação permitir (entre março e abril de 2022) para provavelmente ir para o PL, partido que seu pai filiou.

Com ele devem ir também outros puxadores de votos no estado, como o “princípe” Luiz Philippe de Órleans e Bragança (118.457 votos), Coronel Tadeu (98.373) e Carla Zambelli (76.306).

 

Além disso, deixaram o PSL os deputados federais Joice Hasselmann, que foi a segunda mais votada em 2018, com 1.078.666 votos, e Alexandre Frota (155.522 votos), a primeira ainda vai e o segundo já foi para o PSDB.

Dos sete deputados federais mais votados do PSL em São Paulo na última eleição, só Júnior Bozzella (78.712 votos e apenas o 54% votado no ranking geral do estado) será candidato pelo União Brasil neste ano.