
Decidida a brigar por uma das 24 cadeiras no Legislativo estadual e aproveitando a janela partidária, que se fechou no dia 2 de abril, a ex-secretária da Mulher de Cuiabá, Luciana Zamproni se filiou ao MDB e 'bateu o martelo' pela disputa eleitoral. Após longa conversa com a família e muita discussão com pessoas mais próximas à ambiência política.
Aceitando o desafio de levar para o parlamento, parte de suas lutas na pasta e das discussões que vem realizando com alguns coletivos de que faz parte, como do Grupo Mulheres Até Quando?. De olho, em transformar muitas das ações, em projetos de lei.
Em entrevista ao site O Bom da Notícia, Zamproni lembrou da experiência assegurada no comando da pasta e em seu empenho, na realização de programas e ações liderados, comumente, pela primeira-dama de Cuiabá, Márcia Pinheiro(PV), nas duas gestões do marido, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro(MDB).
Pontuando - que ao estar ao lado da primeira-dama, na linha de frente -, observou a necessidade gigantesca de programas como aqueles que vêm sendo executados pela administração.
Ao apontar a ajuda financeira da gestão, à meninas e meninos, filhos de vítimas de feminicídio, ou de famílias em vulnerabilidade social. Lançado em setembro, do ano passado, o programa-piloto vem assistindo 20 órfãos, pelo período de 12 meses, além do repasse de meio salário-mínimo a eles.
Há ainda outros - diz Luciana -, ao citar o projeto 'Mãos Amigas', que ganhou a parceria do Ministério Público estadual, na promoção de ações de combate e prevenção à violência contra a mulher. Atendendo a Lei nº 14.164/2021, que alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996), incluindo conteúdo sobre esta prevenção nos currículos da educação básica. A ideia ganhou tanta repercussão que o MP-MT já propôs trabalhar a temática entre alunos de 7 a 15 anos da rede pública municipal, e depois expandir a iniciativa para escolas estaduais, particulares e isto em todos os municípios mato-grossense.
Assim, para Zamproni, somente políticas públicas direcionadas à mulher e às suas famílias, poderão minimizar a violência sistêmica de que ela é ainda alvo. Fruto de uma sociedade patriarcal que cristalizou desigualdades históricas, que só podem ser mudadas quando mais mulheres assegurarem suas presenças nos espaços de poder, principalmente, por meio de cargos eletivos.
"Eu já vinha trabalhando uma possível candidatura, após minha filiação no MDB. Agora como pré-candidata, resolvi aceitar o desafio, depois de uma conversa longa com a família e com uma vontade enorme de ver transformadas em propostas parlamentares, as ações que foram executadas na Secretaria da Mulher".
E ao elogiar mulheres que, hoje, estão presentes na ambiência política, Zamproni quer, igualmente, contribuir. Por acreditar que serão estes projetos em favor da mulher, mais ampliados no parlamento, em nível de debate e leis, que terão a eficiência de colocar fim, daqui algum tempo, à uma realidade triste que aponta para estupros, assédios, agressões e feminicídios. Discussões sérias, em particular, em Mato Grosso, que ganhou notoriedade nacional pelos altos índices de violência doméstica e feminicídios.
"Sabemos, de antemão, que os parlamentos são constituído em sua maioria por homens. Assim, diante da demanda, as propostas ou são poucas ou inócuas. Por não serem, de fato, executadas, lá na ponta, onde estão aquelas pessoas que precisam que as leis valham e sejam cumpridas. Assim, minha candidatura se pauta na luta de tornar, ainda mais forte, os debates e projetos que já vêm sendo propostos nas câmaras municipais e no Legislativo estadual e mesmo por nossa bancada federal, em Brasília".
Ainda lembrando que como as leis são criadas por homens que, comumente, não as levam para um debate mais ampliado na sociedade, isto vem exigindo cada vez mais que as mulheres se apresentem nestes espaços de poder, como forma de assegurar mais paridade nestes cargos de decisão.
Só para lembrar, o princípio da paridade [conhecido também como paridade de armas] exige igualdade de tratamento no exercício de direitos e deveres. Assegurando oportunidades iguais de influenciar, por meio de debates e propostas, a defesa de projetos e ações.
"As leis no Brasil e mesmo no mundo têm sido conduzidas por homens, que não fazem um debate ampliado sobre elas dentro da sociedade. Assim, mostrando a importância de termos mulheres garantindo mais paridade em cargos de relevância e decisões. Em espaços de comando como em secretarias, câmaras e legislativos, para que possamos instituir políticas públicas, que sejam executadas em favor das mulheres. E tendo a presença feminina na condução destas práticas".
Lembrando que além destas questões de extrema importância, como as agressões que vieram à tona, em particular, nesta pandemia. Desvelando - com o distanciamento social imposto para o enfrentamento ao coronavírus -, como as relações familiares eram frágeis. Há, contudo, outras questões de ordem prática no dia a dia da mulher, como a sua permanência no mercado de trabalho, quando muitas delas têm problemas, ainda hoje, com creches. Ou seja, não têm com quem deixar seus filhos.
"Como advogada sempre tive comigo que precisamos nos unir, porque os problemas são diversos, dentre eles o da mobilidade humana da mulher, o seu direito de ir e vir com segurança, o que ainda não acontece. Exemplo disto, é quando ela precisa trabalhar, mesmo sendo em grande parte das vezes a mantenedora da casa, e acaba impossibilitada por não ter com quem deixar seus filhos. Discussões que podem parecer pequenas, mas que são divisores de água em debates que separam uma mulher 'acuada', daquela de sucesso. Foi por estas e outras razões, claro, que venho me preparando para este novo desafio. Sobretudo, por acreditar que precisamos de mais mulheres sentadas em mesas de comando. Assim, quanto mais mulheres puderem estar no parlamento, nestas eleições, mais certeza teremos de uma sociedade com mais equilíbrio do que estamos observando hoje, ou seja, quando nada uma sociedade mais saudável".
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