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Presidente do Sindjor/MT pede quebra de sigilo bancário no caso Aprá

Enquanto a investigação que tem o jornalista como vítima, lastreada em gravações, estagnou, Aprá foi indiciado por “disseminar fake news”, gerando comemoração da primeira-dama e governador.

18/04/2022 às 12h42
Por: Redação Fonte: Minuto MT
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Reprodução
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O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso – Sindjor/MT, Itamar Perenha, falou com exclusividade ao MINUTO MT e demonstrou insatisfação, até o momento, com a maneira com que vem sendo conduzido o caso do profissional de imprensa, Alexandre Aprá, proprietário do site “Isso é Notícia”, que foi alvo de uma perseguição promovida por um detetive.

Para Itamar, o “óbvio” de quebrar sigilos bancários para identificar quem teria contratado o espião, que é acusado de ter excedido de suas funções para a prática de crimes, de acordo vídeos e áudios coletados, até agora agora não foi feito pela Polícia Civil de Mato Grosso. O jornalista inicialmente denunciou o caso à Polícia Federal – PF, que declinou e repassou os materiais para o trabalho Ministério Público Estadual – MPE e da PJCMT.

“O Sindjor/MT diverge da linha de investigações da Polícia por se afastarem do óbvio, qual seja, a simples quebra de sigilo bancário acrescida da triangulação das ERBs com a linha telefônica e até eventual busca de geolocalização satelital a comprovarem a ação delituosa do detetive cujo acordo de confidencialidade entre partes não o afasta do devido escrutínio de qualquer investigação seriamente conduzida com procedimentos próprios à quebra de sigilo perante o Judiciário”, defendeu o líder sindical, em nota.

O profissional da espionagem, Ivancury Barbosa, conforme já foi noticiado pelo MINUTO MT, foi gravado por um infiltrado de Aprá onde cita um plano de flagrante falso para ligar o jornalista à pedofilia e envolvimento de drogas. O assassinato da reputação teria como principal objetivo diminuir o ímpeto investigativo do jornalista, autor de diversas denúncias contra o Poder Público, em Mato Grosso. O detetive foi filmado instalando até um rastreador no carro do jornalista.

 

Dentre os elementos audiovisuais coletados sobre as ações de Ivancury, consta um vídeo de um encontro dele com o empresário Ziad Fares, diretor da ZF Comunicação, agência de publicidade que tem um contrato milionário com o Governo do Estado, comandado por Mauro Mendes (UB). Em outra gravação, o detetive diz que “trabalha para a primeira-dama de Mato Grosso”, Virgínia Mendes e para o próprio Ziad, que é amigo pessoal da Família Mendes há décadas e é acusado de intermediar a relação do Palácio Paiaguás com o espião.

Mesmo diante dos indícios materiais, a Polícia Civil deflagrou a Operação Fake News, no qual indiciou o jornalista em questão como o autor da disseminação em massa de notícias falsas que atentariam contra a honra do governador, sua esposa e dos filhos, bem como de outras autoridades públicas, o que foi comemorado publicamente por Mauro e pela esposa, nas redes sociais, como sendo a materialidade do que consideram a “justiça sendo feita”.

 

Contra-ataque

Mesmo negando ter qualquer ligação com a contratação do espião, o casal não se resumiu ao mérito do que era acusado em vídeo pelo próprio detetive, mas expandiu sua narrativa para atacar o jornalista. Segundo a família Mendes, o fato do veículo de comunicação de Aprá receber mídia oficial da Prefeitura de Cuiabá, de alguma maneira, tornaria sólida sua condição de “disseminador de fake news”, servindo aos interesses do grupo político do gestor da capital, Emanuel Pinheiro (MDB).

A tese do governador e da esposa, na visão do presidente do Sindjor, não tem qualquer valor jurídico e a consonância encontrada por ela na investigação policial demonstra uma rigorosidade sobre o jornalista que não é identificada na questão reversa, mesmo com todos os elementos já conhecidos. “Embora a Polícia Civil tenha trazido Alexandre Aprá para o bojo do inquérito que apura a produção de “fake news”, envolvendo Marco Polo Pinheiro, irmão do prefeito da capital e agentes da administração pública, e anotado um faturamento do portal “Isso é Notícia” superior a R$ 260.000,00 reais por ano, tais valores foram decorrentes da regular prestação de serviços, com apresentação de comprovantes de exibição publicitária da Prefeitura, notas fiscais com a publicação das peças publicitárias da forma pactuada nos pedidos de inserção, nos formatos, cadência e elementos pertinentes a demonstrarem a clara regularidade da contraprestação de serviços como se deu com os demais veículos de comunicação. inferência policial se distancia do pressuposto contratual entre o veículo de comunicação contratado e a administração pública municipal transcendendo ao escopo contratual sem qualquer prova ou indícios relevantes de desvio editorial, uma constatação bem diferente da que se faz em relação ao inquérito policial conduzido;”, pontuou Itamar.

Outra situação prática que torna a postura de Virgínia e de Mauro confusa, para a defesa do jornalista, em meio ao transcorrer do embate jurídico/policial, é o fato de acusarem Aprá de calúnia e difamação, quando o jornalista apenas tornou público áudios e vídeos onde o próprio detetive insere o governador e a primeira-dama como seus indiretos contratantes, por meio de Ziad. Contra o espião, entretanto, que seria o principal causador da tal “fake news” que dizem ser alvos, o casal Mendes não registrou nenhum boletim de ocorrência ou ingressou com processo judicial.

Retornando ao trâmite do processo, em relação as acusações feitas pelo jornalista contra o casal, Aprá ainda não foi chamado a depor. O presidente do Sindjor ressalta que o nome do profissional de imprensa segue no “Programa Tim Lopes”, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo – Abraji, visando garantir a segurança do profissional de imprensa. “Houve uma série de contatos do Sindjor com as autoridades da área de segurança visando dimensionar as iniciativas em andamento e a respectiva suficiência para conter as possíveis ameaças e o risco à integridade física do jornalista constatando-se, logo de cara, uma perniciosa malemolência em relação ao caso”, critica Itamar.

 

Trâmite do MPE 

Assim que chegou no MPE, o promotor André Luis de Almeida foi sorteado para o caso e iniciou o processo de investigação. Algumas semanas depois, ele foi afastado do cargo para dar lugar ao promotor Mauro Poderoso, acusado pela defesa de Aprá, munida pra isso de fotos em redes sociais, de ter ligação pessoal com o empresário Ziad, bem como com seu advogado, Valber Melo, e com o advogado Eustáquio Neto, que representa o detetive Ivancury.

“O afastamento do promotor natural com a sua respectiva substituição trouxe apenas uma conduta expectante por parte do Ministério Público quando os fatos exigem bem mais do que uma ação burocrática desprovida, até agora, de qualquer iniciativa mais relevante para a efetiva apuração dos fatos visando, de maneira proativa, contribuir para uma conclusão de inquérito tão próximo da verdade dos fatos quanto possível”, pontuou o líder do Sindicato dos Jornalistas.

Por fim, o presidente do Sindjor/MT afirma que espera “que a oitiva de Alexandre Aprá seja concretizada já que a condução do inquérito, conduzida de maneira contemplativa por parte do MP e deliberada ou involuntariamente embaralhada pela autoridade policial, torne a peça distante de seu objetivo precípuo. Presteza, objetividade e apuração devida é o que urge”.

 

IMPRENSA NACIONAL

O caso segue contando com pouca repercussão na imprensa estadual, que tem se resumido em divulgar apenas as falas do governador e da esposa, comemorando cada manifestação dos investigadores que os colocam longe de qualquer responsabilidade.

 

O jornalista Lumi Zúnica, da Record, responsável pela elaboração da matéria que foi ao ar no Domingo Espetacular, apresentando o caso para o Brasil, com todos os vídeos e áudios comprometedores gravados junto ao detetive, não quis comentar o desfecho que as investigações da Polícia Civil e do MPE estão ganhando.

 

profissional reiterou, em nome da emissora, que “o que tínhamos pra mostrar está na nossa reportagem”, produção que reforça muita das acusações de Aprá. A emissora de TV, todavia, não foi alvo de nenhuma representação jurídica de Virgínia e Mauro.

Na época que a Record veiculou o material, em setembro de 2021, vários outros jornalistas com trabalho reconhecido nacionalmente se manifestaram e cobraram uma resposta rápida dos órgãos competentes no caso. Foi o caso, por exemplo, do renomado Ricardo Noblat e Matheus Pichonelli, do Yahoo.

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