
O senador Jayme Campos, o deputado estadual Júlio Campos e o líder do governo na Assembleia, Dilmar Dal Bosco, deixaram a reunião na sede do União Brasil, minutos antes da chegada do presidente estadual da sigla, o governador Mauro Mendes. O encontro ocorreu na noite desta segunda-feira (06), em Cuiabá.
A reunião havia sido convocada pelo próprio Jayme, que tenta viabilizar seu projeto político para as eleições de 2026, quando pretende decidir entre buscar a reeleição ao Senado ou disputar o governo do Estado.
O encontro, que deveria ser um espaço de diálogo interno, terminou evidenciando o clima de desencontro entre as principais lideranças do União Brasil. A reunião começou por volta das 20h, com a presença de Jayme Campos, Júlio Campos, Dilmar Dal Bosco, o deputado Eduardo Botelho, o secretário César Miranda, o ex-deputado Berinho Franco, o secretário Aécio Rodrigues e a vereadora Michelly Alencar.
Apesar da expectativa, Mauro Mendes não chegou no horário marcado, pois participava da inauguração da sede reformada da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), no Centro Político Administrativo.
Por volta das 20h45, após serem informados de que o governador ainda estava a caminho, Jayme e o grupo mais próximo decidiram deixar o local. Mauro chegou cerca de dez minutos depois, acompanhado do secretário de Segurança Pública, coronel César Roveri. No local, encontrou apenas Botelho, Berinho e Aécio.
O grupo restante acabou discutindo apenas temas ligados à formação da chapa de deputados estaduais, deixando em aberto a principal pauta da noite: o futuro político de Jayme nas eleições de 2026.
A ausência inicial de Mauro e a saída antecipada de Jayme e aliados reforçaram a percepção de que há uma disputa velada de poder dentro do partido, um impasse que, segundo fontes internas, vem se agravando nas últimas semanas.
Nos bastidores, o episódio foi interpretado como um gesto simbólico de desgaste entre os dois líderes. Jayme Campos reivindica autonomia dentro do partido para decidir, em 2026, se buscará a reeleição ou se disputará o governo. Ele cobra do União Brasil uma “carta branca” para definir sua candidatura conforme o cenário político do próximo ano.
Por outro lado, Mauro Mendes tem defendido a continuidade de seu projeto político com o nome do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) como potencial sucessor no Palácio Paiaguás. Essa divergência vem gerando atritos velados entre os grupos, especialmente após declarações públicas de Mauro de que Jayme teria espaço garantido para tentar a reeleição, mas não necessariamente para concorrer ao governo.
A fala foi entendida por aliados de Jayme como uma pressão indireta, reforçando a disputa por protagonismo dentro da legenda.
Após o episódio, Mauro Mendes tentou minimizar o ocorrido. “Quando marcaram essa reunião, eu já tinha um compromisso com a inauguração da sede da Sesp. Disse a eles que, se desse tempo, passaria lá depois. Não há estranhamento, pelo menos não da minha parte”, afirmou o governador.
Questionado sobre a saída de Jayme e dos deputados antes de sua chegada, Mauro reforçou que a situação foi “normal”. “Eles deviam ter outro compromisso e foram embora. Eu já tinha avisado que poderia atrasar”, disse.
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