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Pantaneira é homenageada em documentário sobre produção de farinha de mandioca

O filme foi produzido com recursos do edital Conexão Mestres da Cultura, da Secel, e está disponível no YouTube

16/03/2022 às 16h16
Por: Redação Fonte: Secom Mato Grosso
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- Foto por: Julia Muxfeldt
- Foto por: Julia Muxfeldt

A farinha de mandioca é um alimento comum entre as refeições dos mato-grossenses. Não à toa, uma das comidas tradicionais mais amadas por aqui é a famosa farofa de banana. Mas, quando o prato está à mesa, pouco se pensa sobre a cultura do fazer a farinha, e como essa tradição se manifesta há centenas de anos entre as famílias que vivem nas comunidades rurais.

Isso conta um pouco da história de dona Nequinha, a pantaneira Ana de Queiroz Pereira, de 85 anos, que inspira o documentário “Farinhas Festas e Memórias”, projeto aprovado pelo Edital Conexão Mestres da Cultura, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), por meio da Lei Aldir Blanc.

Gravado no distrito de Acorizal, do município de Barão de Melgaço, o documentário foi lançado nesta terça-feira (15.03) e está disponível no canal doYouTube da Iaiá Afroprodutora, além de uma galeria de fotos que pode ser acessadaAQUI.

O filme traz o cotidiano de dona Nequinha com a família, memórias de infância, a religiosidade e o processo artesanal e comunitário para se fazer a farinha de mandioca e derivados como polvilho, beiju (tapioca), bolo mané pelado e ração animal.

Com participação de familiares, o filme também aborda a mudança no modo de produção, que, mesmo ainda sendo artesanal, foi facilitado com o decorrer dos anos pelo uso de instrumentos como o ralador elétrico.

“Hoje tá fácil fazer farinha, você não imagina a dificuldade que ela tinha antes. Abria aquelas latas grandes de 18 litros, furava com pregos, formava um orifício que era um ralador, punha na madeira e era no muque”, relata o filho de dona Ana, Leopoldino Pereira.

De acordo com diretora do filme e proponente do projeto, Jackeline Silva, o objetivo do documentário é registrar os saberes, as expressões, as técnicas e modos de fazer dos povos tradicionais.

“A farinha de mandioca representa muito mais do que o ganho financeiro. As etapas da produção de farinha constituem elemento agregador, porque dona Ana, a sua família e comunidade estão envolvidas promovendo interação e trocas coletivas”.

Ela conta que a ideia do filme surgiu em 2012, quando ela esteve na comunidade de Acorizal para participar da Festa de Nossa Senhora Imaculada Conceição, e viu o trabalho da família e o envolvimento da comunidade para produzir a alimentação para a festividade tradicional.

Em 2021, o projeto foi viabilizado por meio do Edital da Secel, e ela pode reencontrar dona Ana e os seus familiares. “Ela é mãe, avó e bisavó, agricultora familiar, católica, já foi redeira e gostava muito de usar o tear. Atualmente, com apoio do filho Leopoldino, a dona Nequinha produz farinha de mandioca e doce leite, que comercializados contribuindo financeiramente para o sustento da casa”.

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