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Investigados pela PF criaram 552 falsas aposentadorias de indígenas para roubar R$ 64 milhões

Polícia Federal acredita que mais falsas aposentadorias serão descobertas com a deflagração da operação.

29/06/2023 às 08h08
Por: Redação Fonte: Da redação
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As investigações da Operação Sangradouro, deflagrada nsta quarta-feira (28), pela Polícia Federal, mostraram que servidores públicos da Funai criaram 552 falsas aposentadorias de indígenas. O grupo conseguiu roubar cerca de R$ 64 milhões dos cofres públicos.

De acordo com PF, a associação criminosa operava um grande esquema de fraudes previdenciárias em aposentadorias ilegais de indígenas.

A organização era integrada por servidores públicos da Funai, cartorários, proprietários de correspondentes bancários e lideranças indígenas locais.

Até o momento, a Polícia Federal identificou 552 falsos aposentados em todo o Estado, com a perspectiva de novos identificados a partir da deflagração da operação. Os investigados poderão responder pelos crimes de falsificação de documentos, estelionato previdenciário, formação de quadrilha e inserção de dados falsos em sistema de informação do Governo Federal.

A fraude previdenciária iniciava-se com a expedição de documentos com dados falsificados, realizada por servidores da Funai, especialmente a idade dos indígenas.

Eram emitidos o “Registro Administrativo de Nascimento de Indígenas” (Rani) e a “Certidão de Exercício de Atividade Rural”, ambos com adulteração de dados, em especial a idade dos indígenas, para simular o atendimento da idade mínima para aposentadoria por idade rural: 60 anos para homem e 55 anos para mulher.

A partir dessa falsidade inicial, os indígenas favorecidos pelo esquema usavam o Rani para a realização de registro de nascimento tardio em cartório, com a emissão de certidões de nascimento que, em seguida, serviam de lastro para a solicitação de diversos outros documentos públicos, tais como CPF e RG. Na sequência, compareciam a uma agência do INSS para requerer aposentadoria por idade, fazendo uso de todos os documentos falsos providenciados pelo esquema criminoso.

As investigações evidenciaram que os documentos ideologicamente falsificados eram comumente emitidos em intervalos de tempos muito curtos, poucos meses antes da apresentação do requerimento à Previdência Social. Na sequência, os fraudadores ainda buscavam correspondentes bancários para obtenção de empréstimos consignados atrelados a essas aposentadorias, sempre no limite máximo da margem consignável, potencializando o prejuízo da fraude perpetrada.

Foram expedidas 19 ordens cautelares judiciais pela Justiça Federal em Barra do Garças (509 km de Cuiabá), sendo 16 mandados de busca e apreensão, duas ordens judiciais de afastamento temporário das funções públicas e um mandado de prisão preventiva, cumpridos em Cuiabá, Barra do Garças, Primavera do Leste e Poxoréu.

 

 

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