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Várzea Grande realiza segunda captação histórica de órgãos

O gesto de amor e generosidade, mesmo em meio a uma dor profunda, permitiu que os rins, o fígado e as córneas pudessem ser destinados a pacientes de três estados que aguardavam em fila nacional pelo transplante

01/09/2025 às 08h10
Por: Redação Fonte: Da redação
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Foto: ANDRÉ LUIS
Foto: ANDRÉ LUIS

Em um gesto de amor que atravessa a dor, o Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande (PSHMVG) escreveu, mais um dos capítulos emocionantes de sua história. Pela segunda vez, desde a fundação da unidade na década de 1980 — e a primeira na gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) —, uma força-tarefa foi mobilizada para realizar a captação de múltiplos órgãos no último dia 21 de agosto. A ação vai beneficiar cinco pessoas que aguardavam, em diferentes estados do país, uma nova chance de viver.

Em meio ao luto, a família aceitou doar os órgãos, permitindo o compartilhar de esperança para outras famílias.

A ação também reforça a importância de que as famílias conversem sobre a doação de órgãos. No Brasil, a autorização dos parentes é obrigatória e, muitas vezes, a decisão rápida pode ser determinante para salvar vidas.

Segundo a médica Adriana Podanowski, que coordenou a equipe do PSHMVG no processo, foi necessário um intenso trabalho de mobilização. “Desde a madrugada, profissionais de diversas áreas se uniram, em parceria com a Central Estadual de Transplantes de Mato Grosso, para que tudo acontecesse dentro dos protocolos exigidos. Esse é um momento de sensibilidade, mas também de conscientização sobre a importância da doação de órgãos”, destacou.

Foram captados os rins, o fígado e as córneas que foram destinados a pacientes de três estados que aguardavam em fila nacional pelo transplante.

Para a prefeita Flávia Moretti, o feito histórico representa mais do que um avanço médico: é um símbolo de solidariedade. “A decisão dessa família vai muito além da tragédia que a atingiu. Ela se traduz em vida, esperança e amor. Agradecemos a todos os profissionais envolvidos, que demonstraram comprometimento, agilidade e sensibilidade nesse processo tão complexo”, afirmou a gestora.

UMA CORRIDA CONTRA O TEMPO - O Dr. Luiz Gustavo Diaz, cirurgião geral de transplante de fígado do Distrito Federal, que participou da captação do fígado, explicou a complexidade da operação e como o Brasil inteiro se mobiliza nesses casos. “Cada estado tem a sua Central de Transplantes e, quando surge uma doação, todos estudam a logística para garantir que os órgãos cheguem em tempo aos pacientes da fila. É uma corrida contra o tempo, que envolve equipes altamente especializadas e protocolos rigorosos”, explicou.

Segundo o médico, atualmente cerca de mil pacientes aguardam um transplante de fígado no Brasil, mas o órgão mais solicitado é o rim, com aproximadamente 300 mil pessoas na fila de espera. “Quando surge uma doação, o país inteiro se movimenta. Cada órgão representa uma oportunidade de vida e por isso cada segundo é precioso”, ressaltou.

O TRANSPORTE - A logística envolveu equipes médicas do Distrito Federal, da Central de Transplante do Estado de Mato Grosso e do Pronto-Socorro e Hospital Municipal de Várzea Grande. A escolta dos órgãos até o aeroporto contou com apoio da Guarda Municipal, que formou um corredor seguro e ágil ao transporte dos órgãos. A operação foi coordenada pela inspetora Célia Rodrigues.

“É um momento de grande responsabilidade e emoção. Escoltar os órgãos é algo que nos toca profundamente. Saber que outras vidas poderão ser salvas causa uma comoção”, disse emocionada.

ORGULHO PARA VÁRZEA GRANDE - Para a subsecretaria municipal de Saúde de Várzea Grande, Erika Carvalho, o feito histórico mostra a importância de investimentos e de uma gestão humanizada. “Ter a nossa unidade envolvida em uma ação dessa dimensão mostra o quanto o Pronto-Socorro de Várzea Grande está preparado para atuar com excelência, mesmo diante de situações tão delicadas. Essa captação representa o esforço coletivo de profissionais comprometidos, que não mediram esforços para salvar vidas”, destacou.

A subsecretária pontua que há uma tratativa com a Central de Transplante do Estado de implantar uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT), dentro da unidade várzea-grandense que é referência para Mato Grosso.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Anita Ricarda da Silva, destaca que a Central investe em capacitações voltadas aos profissionais dos hospitais que podem notificar doações.

“Trabalhamos incansavelmente em ações para conscientizar a sociedade e as equipes notificadoras, pois a doação de órgãos e tecidos só é possível com o apoio coletivo. A captação de múltiplos órgãos é uma operação complexa, que envolve muitos profissionais em prol da vida”, frisou.

Para a Secretária Municipal de Saúde, Deisi Bocalon, esse é um momento de muita emoção tanto para a família enlutada, como também, a do paciente que vai receber o órgão. “É emocionante! Isso é lutar pela vida. Agradecemos imensamente à família que, mesmo vivendo um momento de dor profunda, teve a generosidade de permitir que outras pessoas, que também sofriam à espera de um transplante, fossem beneficiadas e salvas. Esse ato de amor transcende a perda e se transforma em esperança”, declarou.

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